Os agudos e estridentes risos de uma rapariguinha de olhar vivo, matreiro e desafiador, que aparentava ainda não ter visto as primeiras cinco primaveras da sua vida, enchiam por completo uma casa térrea de arquitectura simples e de frontispício parco e humilde.
Num certo dia do mês de Março, o pai desse raio de sol de olhos rasgados e cheio de vida e de graça, encontrou na brochura de um dos seu raros álbuns de muitas cores e fotografias, que havia sido pertença dos seus avós e das poucas coisas que deles herdara, o inequívoco sinal das últimas travessuras e diabríces daquele pequeno demónio de ideias e de vontade indomável. Naquele livro depositário de recordações e de fantasmas do passado, era bem visível a amputação de uma das suas páginas, pelos restos deixados do que havia antes sido uma fotografia de girassóis.
O pai deste diabrete travesso, de forma rancorosa e quase brutal chamou à sua presença a pequena peste endiabrada, que com o olhar de soslaio e cabisbaixo, muito a medo, com as mãos cruzadas atrás das costas, pé ante pé, dele demoradamente e pachorrentamente se aproximou. Foi infrutífero o apertado e intenso interrogatório, pois a menina teimou em se manter silenciosa e alheada de toda a reprimenda. O silêncio, a teimosia e a falta de arrependimento demonstrado, deixou aquele homem às portas da senilidade e da loucura. Foi talvez esse o motivo, porque o homem foi impedido de dosear a força empregue, e o castigo infligido naquele frágil corpo de criança que teimava também em não chorar.
Apesar das marcas da tareia ainda estarem escarlates no corpo e na face daquele raio de luz encarnado, na manhã seguinte, a menina levou a seu pai um presente envolto numa folha de papel com grandes girassóis a cobrir uma pequena caixa, dizendo-lhe:
"Hoje é dia do Pai! Esta é a minha prenda para ti, paizinho!". Com o destino da folha daquele querido álbum, agora esclarecido e visível, este colérico e destemperado homem arrependeu-se da sua furiosa e desmedida reacção, para voltar a "explodir" quando abriu a caixa e verificou que esta estava vazia. Por isso de forma bruta e rude gritou: "A menina não sabe que quando se dá um presente a alguém, nós colocamos sempre alguma coisa dentro da caixa?" A menina de olhos meigos e aquosos olhou para cima e disse quase em suplica:
"Oh, Paizinho! A caixa não está vazia. Ela está completamente cheia. Eu soprei para dentro da caixa mil beijos meus. E são todos para ti. Pai!".
O pai daquela ternurenta e frágil menina sentiu-se muito mal por não ter tido a capacidade de compreender de imediato aquela prenda. Abraçou a menina de forma terna e carinhosa num sinal de pedido de desculpa e perdão.
Consta-se, que o homem guardou aquela caixa envolta num papel com uma fotografia de grandes girassóis ao lado da sua cama, por muitos, muitos anos, e sempre que se sentiu triste e deprimido, ele pegava com ternura naquela mágica caixa, e com muito cuidado abria-a, e tomava um dos beijos imaginários que ali em tempos havia sido depositado e recordava o amor que sua filha havia posto dentro daquele cofre.
De uma forma também simples, mas sensível, cada um de nós ao longo da nossa vida temos recebido uma caixinha envolta num papel com girassóis, cheia de amor incondicional e de beijos imaginários dos nossos pais, dos nossos filhos, dos nossos irmãos e dos nossos amigos.... Na verdade, ninguém poderá ter um presente mais bonito e precioso do que este.
Num certo dia do mês de Março, o pai desse raio de sol de olhos rasgados e cheio de vida e de graça, encontrou na brochura de um dos seu raros álbuns de muitas cores e fotografias, que havia sido pertença dos seus avós e das poucas coisas que deles herdara, o inequívoco sinal das últimas travessuras e diabríces daquele pequeno demónio de ideias e de vontade indomável. Naquele livro depositário de recordações e de fantasmas do passado, era bem visível a amputação de uma das suas páginas, pelos restos deixados do que havia antes sido uma fotografia de girassóis.
O pai deste diabrete travesso, de forma rancorosa e quase brutal chamou à sua presença a pequena peste endiabrada, que com o olhar de soslaio e cabisbaixo, muito a medo, com as mãos cruzadas atrás das costas, pé ante pé, dele demoradamente e pachorrentamente se aproximou. Foi infrutífero o apertado e intenso interrogatório, pois a menina teimou em se manter silenciosa e alheada de toda a reprimenda. O silêncio, a teimosia e a falta de arrependimento demonstrado, deixou aquele homem às portas da senilidade e da loucura. Foi talvez esse o motivo, porque o homem foi impedido de dosear a força empregue, e o castigo infligido naquele frágil corpo de criança que teimava também em não chorar.
Apesar das marcas da tareia ainda estarem escarlates no corpo e na face daquele raio de luz encarnado, na manhã seguinte, a menina levou a seu pai um presente envolto numa folha de papel com grandes girassóis a cobrir uma pequena caixa, dizendo-lhe:
"Hoje é dia do Pai! Esta é a minha prenda para ti, paizinho!". Com o destino da folha daquele querido álbum, agora esclarecido e visível, este colérico e destemperado homem arrependeu-se da sua furiosa e desmedida reacção, para voltar a "explodir" quando abriu a caixa e verificou que esta estava vazia. Por isso de forma bruta e rude gritou: "A menina não sabe que quando se dá um presente a alguém, nós colocamos sempre alguma coisa dentro da caixa?" A menina de olhos meigos e aquosos olhou para cima e disse quase em suplica:
"Oh, Paizinho! A caixa não está vazia. Ela está completamente cheia. Eu soprei para dentro da caixa mil beijos meus. E são todos para ti. Pai!".
O pai daquela ternurenta e frágil menina sentiu-se muito mal por não ter tido a capacidade de compreender de imediato aquela prenda. Abraçou a menina de forma terna e carinhosa num sinal de pedido de desculpa e perdão.
Consta-se, que o homem guardou aquela caixa envolta num papel com uma fotografia de grandes girassóis ao lado da sua cama, por muitos, muitos anos, e sempre que se sentiu triste e deprimido, ele pegava com ternura naquela mágica caixa, e com muito cuidado abria-a, e tomava um dos beijos imaginários que ali em tempos havia sido depositado e recordava o amor que sua filha havia posto dentro daquele cofre.
De uma forma também simples, mas sensível, cada um de nós ao longo da nossa vida temos recebido uma caixinha envolta num papel com girassóis, cheia de amor incondicional e de beijos imaginários dos nossos pais, dos nossos filhos, dos nossos irmãos e dos nossos amigos.... Na verdade, ninguém poderá ter um presente mais bonito e precioso do que este.
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