Numa certa manhã, depois de uma noite de um sono agitado e acordado, a minha consciência repticianamente me confidenciou, que o meu espírito devasso e vagabundo, tinha nessa noite sorrateiramente se libertado do meu corpo, para vaguear por ternas e saudosas recordações e que por fim vencido por estas, tinha acabado por visitar um acolhedor apartamento amigo. Como dei alguma atenção a esta alcoviteira notícia, vesperinamente e com um forte sibilar, esta continuou a me relatar com esmero e detalhe, as nocturnas aventuras do meu libertino e vadio espírito. Assim, por esta insânia e demente confidência, fiquei a saber que nesse encantador apartamento amigo, o meu espírito tal como uma vulgar traça, tinha sido atraído por uma mortiça e bruxuleante luz, que tremidamente rodopiava numa pequena lamparina, projectando sombras que esvoaçavam na parede em movimentos mágicos e dançarinos.
Sei por esta confidente, que ele foi atraído por essa mágica e feiticeira luz de forma dominante e absoluta, como também sei por esta voz da minha consciência, que este, tinha ficado muito curioso e por isso se aproximou para observar aquilo que lhe parecia ser um santuário, e com muito respeito e curiosidade, observou com atenção e pormenor a disposição na parede, das pesadas molduras douradas com diplomas e comendas, como também observou com o mesmo cuidado as molduras com algumas medalhas contendo inscrições de homenagens e agradecimentos, cujos textos com detalhe não se apercebeu, devido à escassez da iluminação daquele espaço de respeito e austeridade.
Por baixo dessa galeria de honrarias e de mercês honoríficas, estava uma pequena credência de forma triangular, onde poisava a hipnótica e narcotizante lamparina, que por sua vez ao seu lado esquerdo descansava um Malhete de ébano, e ao seu lado direito, uma trolha em metal cor de prata reluzente. Na sua frente, com um polimento luzidio e em relevo filigranado, conferindo-lhe por isso nobreza e majestade, estava um Compasso sobreposto a um Esquadro. Por detrás desta lâmpada de azeite, encontrava-se um desbotado avental de Mestre Instalado, moldurado com requinte e bom gosto.
Disse-me ao meu ouvido a voz víborina, que o meu espírito tinha ficado junto daquele relicário algum tempo, totalmente imóvel e profundamente absorto no enlevo da contemplação e que depois da respeitosa e contrita meditação, o meu espírito tinha ficado preso a uma saudade sem limites e por isso, procurou comunicar com o espírito da inquilina daquele apartamento amigo. O espírito desta, reconhecendo no visitante um amigo, soltou as amarras do seu abandono e do seu isolamento e segredou-lhe, que aquele altar de recordação era a sua singela homenagem a quem muito amou e de quem muito foi amada, uma vez que aqueles objectos tinham pertencido ao seu falecido marido, os quais tinham sido por ele em vida muito queridos e estimados.
A viúva desse meu incógnito amigo, tem um espírito muito comunicativo e farto de palavras, por isso, com lentas pinceladas recordou-lhe o perfil do homem, do esposo, do pai e do amigo que este em vida fora, deixando por isso com a sua partida um vazio impreenchível em seu saudoso coração. Com a recordação da personalidade do homem que o meu desfocado amigo fora em vida o meu espírito, sabendo que este fora uma pessoa admirável. Um ser humano extraordinário; um profissional exemplar, enfim, um santo homem, mergulhou num mar de imensa saudade. Apesar de absorvido em nostálgicas e saudosas lembranças, este meu sensível e impressionável espirito ainda conseguiu ouvir do inconsolado espírito da companheira desse meu brumoso amigo dizer em tom amoroso mas com firmeza, que Deus o tinha levado para junto de Si, que Deus tinha levado o seu santo, que a sua luz se tinha fundido na luz de Deus, que se tinha fundido na luz do Eterno Oriente e que por essa razão, aquela lâmpada votiva permaneceria acesa todo o tempo, dia e noite, para que iluminando as coisas que ele tanto tinha prezado em vida, fosse para este um farol e um guia para o seu espírito, até ao dia, a que a ele se venha novamente a unir, se o Altíssimo lhe vier a conceder essa graça. Até ao seu esperançoso dia de redenção, este solitário espírito confidenciou-lhe que nos momentos de desconsolo da vida, aquele altar seria o local privilegiado para meditar, para orar e para sentir a presença do seu amado, do seu santo.
Depois de uma pequena pausa reflexiva, este espírito abandonado e esquecido pelo tempo e pelos amigos de outrora, confidenciou ao meu, como se este nunca o tivesse sabido, quase em sussurro, entre o altivo e o circunspecto, que o seu marido tinha sido Maçom. Profundo silêncio meditativo daí adveio, como se naquele instante tivesse sido desvendado um profundo mistério, um segredo impenetrável se tivesse revelado. Aquele espírito cheio de saudade debicando delicadamente e suavemente as palavras, não se cansava de repetir com a voz murmurada e enternecida, mas segura e contrita, como a reviver um passado de ternura e de bem amada, que o seu marido fora um Maçom. Só o silêncio do meu espírito foi capaz de traduzir o diálogo e os fluidos de sentimentos e emoções que entre eles se estabeleceu.
Contou-me ainda a voz intriguista da minha consciência, que o meu espírito na despedida ainda se voltou mais do que uma vez, e por último, com um leve aceno de mão, despediu-se daqueles dois santuários. Um vivo, na sua frente, a iluminar a noite com a luz do seu espectro e com a aura da sua santidade. O outro, revivido e perpetuado no simbolismo daquelas relíquias de um passado e de uma vida exemplar, iluminadas a um canto daquele apartamento amigo. No meu espírito, por algum tempo ainda, matraqueou o eco das ultimas palavras daquele santo espectro amigo. Fora um maçom! Não! É um maçom noutra dimensão da vida! Pois a Maçonaria é a sublime luz que alumia os caminhos do eterno existir. Ela ensina o caminho para o eterno, ela ensina o caminho para a luz do Eterno Oriente.
Já a manhã há muito que não era uma criança, quando a reviver novamente a fantástica história que o meu espírito nessa noite fora protagonista, fiquei muito confuso com o relato da minha mexeriqueira consciência e por isso a indaguei com teimosa persistência da veracidade daquela soturna e lúgubre história. Pois agora estava consciente que aquele revivido quadro não se poderia ter pintado com as cores do verbo no tempo do passado, como também não se poderá pintar com as cores do verbo no tempo do presente, então este só poderá vir a ser pintado com as cores do verbo no tempo do futuro. Com as cores do que ainda não aconteceu. Com as cores do que acontecerá apenas um pouco mais tarde. Então... a cena aqui retractada é apenas uma premeditação, ou quiçá o fruto da admiração e do reconhecimento que nutro pelo nobre carácter de muitos dos irmãos presentes nesta Loja, e para eles desejo, que a sabedoria de Salomão continua a os inspirar, que a Força de Hiram, Rei de Tiro, os mantenha e que a beleza do Mestre Hiram Abi adorne os seus pensamentos, as suas palavras, os seus gestos e atitudes, por forma a que continuem na senda da sua perfeição e do amor ao próximo. Que Deus os ajude nessa nobre e santa missão!
Sei por esta confidente, que ele foi atraído por essa mágica e feiticeira luz de forma dominante e absoluta, como também sei por esta voz da minha consciência, que este, tinha ficado muito curioso e por isso se aproximou para observar aquilo que lhe parecia ser um santuário, e com muito respeito e curiosidade, observou com atenção e pormenor a disposição na parede, das pesadas molduras douradas com diplomas e comendas, como também observou com o mesmo cuidado as molduras com algumas medalhas contendo inscrições de homenagens e agradecimentos, cujos textos com detalhe não se apercebeu, devido à escassez da iluminação daquele espaço de respeito e austeridade.
Por baixo dessa galeria de honrarias e de mercês honoríficas, estava uma pequena credência de forma triangular, onde poisava a hipnótica e narcotizante lamparina, que por sua vez ao seu lado esquerdo descansava um Malhete de ébano, e ao seu lado direito, uma trolha em metal cor de prata reluzente. Na sua frente, com um polimento luzidio e em relevo filigranado, conferindo-lhe por isso nobreza e majestade, estava um Compasso sobreposto a um Esquadro. Por detrás desta lâmpada de azeite, encontrava-se um desbotado avental de Mestre Instalado, moldurado com requinte e bom gosto.
Disse-me ao meu ouvido a voz víborina, que o meu espírito tinha ficado junto daquele relicário algum tempo, totalmente imóvel e profundamente absorto no enlevo da contemplação e que depois da respeitosa e contrita meditação, o meu espírito tinha ficado preso a uma saudade sem limites e por isso, procurou comunicar com o espírito da inquilina daquele apartamento amigo. O espírito desta, reconhecendo no visitante um amigo, soltou as amarras do seu abandono e do seu isolamento e segredou-lhe, que aquele altar de recordação era a sua singela homenagem a quem muito amou e de quem muito foi amada, uma vez que aqueles objectos tinham pertencido ao seu falecido marido, os quais tinham sido por ele em vida muito queridos e estimados.
A viúva desse meu incógnito amigo, tem um espírito muito comunicativo e farto de palavras, por isso, com lentas pinceladas recordou-lhe o perfil do homem, do esposo, do pai e do amigo que este em vida fora, deixando por isso com a sua partida um vazio impreenchível em seu saudoso coração. Com a recordação da personalidade do homem que o meu desfocado amigo fora em vida o meu espírito, sabendo que este fora uma pessoa admirável. Um ser humano extraordinário; um profissional exemplar, enfim, um santo homem, mergulhou num mar de imensa saudade. Apesar de absorvido em nostálgicas e saudosas lembranças, este meu sensível e impressionável espirito ainda conseguiu ouvir do inconsolado espírito da companheira desse meu brumoso amigo dizer em tom amoroso mas com firmeza, que Deus o tinha levado para junto de Si, que Deus tinha levado o seu santo, que a sua luz se tinha fundido na luz de Deus, que se tinha fundido na luz do Eterno Oriente e que por essa razão, aquela lâmpada votiva permaneceria acesa todo o tempo, dia e noite, para que iluminando as coisas que ele tanto tinha prezado em vida, fosse para este um farol e um guia para o seu espírito, até ao dia, a que a ele se venha novamente a unir, se o Altíssimo lhe vier a conceder essa graça. Até ao seu esperançoso dia de redenção, este solitário espírito confidenciou-lhe que nos momentos de desconsolo da vida, aquele altar seria o local privilegiado para meditar, para orar e para sentir a presença do seu amado, do seu santo.
Depois de uma pequena pausa reflexiva, este espírito abandonado e esquecido pelo tempo e pelos amigos de outrora, confidenciou ao meu, como se este nunca o tivesse sabido, quase em sussurro, entre o altivo e o circunspecto, que o seu marido tinha sido Maçom. Profundo silêncio meditativo daí adveio, como se naquele instante tivesse sido desvendado um profundo mistério, um segredo impenetrável se tivesse revelado. Aquele espírito cheio de saudade debicando delicadamente e suavemente as palavras, não se cansava de repetir com a voz murmurada e enternecida, mas segura e contrita, como a reviver um passado de ternura e de bem amada, que o seu marido fora um Maçom. Só o silêncio do meu espírito foi capaz de traduzir o diálogo e os fluidos de sentimentos e emoções que entre eles se estabeleceu.
Contou-me ainda a voz intriguista da minha consciência, que o meu espírito na despedida ainda se voltou mais do que uma vez, e por último, com um leve aceno de mão, despediu-se daqueles dois santuários. Um vivo, na sua frente, a iluminar a noite com a luz do seu espectro e com a aura da sua santidade. O outro, revivido e perpetuado no simbolismo daquelas relíquias de um passado e de uma vida exemplar, iluminadas a um canto daquele apartamento amigo. No meu espírito, por algum tempo ainda, matraqueou o eco das ultimas palavras daquele santo espectro amigo. Fora um maçom! Não! É um maçom noutra dimensão da vida! Pois a Maçonaria é a sublime luz que alumia os caminhos do eterno existir. Ela ensina o caminho para o eterno, ela ensina o caminho para a luz do Eterno Oriente.
Já a manhã há muito que não era uma criança, quando a reviver novamente a fantástica história que o meu espírito nessa noite fora protagonista, fiquei muito confuso com o relato da minha mexeriqueira consciência e por isso a indaguei com teimosa persistência da veracidade daquela soturna e lúgubre história. Pois agora estava consciente que aquele revivido quadro não se poderia ter pintado com as cores do verbo no tempo do passado, como também não se poderá pintar com as cores do verbo no tempo do presente, então este só poderá vir a ser pintado com as cores do verbo no tempo do futuro. Com as cores do que ainda não aconteceu. Com as cores do que acontecerá apenas um pouco mais tarde. Então... a cena aqui retractada é apenas uma premeditação, ou quiçá o fruto da admiração e do reconhecimento que nutro pelo nobre carácter de muitos dos irmãos presentes nesta Loja, e para eles desejo, que a sabedoria de Salomão continua a os inspirar, que a Força de Hiram, Rei de Tiro, os mantenha e que a beleza do Mestre Hiram Abi adorne os seus pensamentos, as suas palavras, os seus gestos e atitudes, por forma a que continuem na senda da sua perfeição e do amor ao próximo. Que Deus os ajude nessa nobre e santa missão!
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