O manto da noite de um azul prussiano do mais profundo dentro da sua gama, lentamente cobriu a paisagem gélida e agreste. Rajadas cortantes do vento norte fustigavam com impiedade os dois vultos, cujas silhuetas se desenhavam na linha do horizonte, um dobrado sobre si no dorso de um jumento e o outro com aparente dificuldade na dianteira deste, na procura e na escolha do melhor caminho para atravessarem aquela deserta e inóspita paisagem. Depois de muito caminharem pelas vastidões desertas de almas e paradeiro de medos e assombrações, num quase total negrume, avistaram muito ao longe, em forma de concha, as domésticas luzes de azeite de uma povoação. Com a visão deste oásis de esperança e de vida, fizeram rumo para este farol com uma renovada decisão e um novo alento. Já em Belém, nome que era dado àquela povoação salpicada de pirilampos, uma porta, um pedido, uma recusa. Outra porta, outra solicitação e outra rejeição. E de recusa em recusa, estes cansados e cambaleantes vultos caminharam pela noite adentro, batendo indiscriminadamente em todas as portas por onde passavam e todas as portas teimosamente se lhes fechavam, até que finalmente tiveram acolhimento num lugar onde não havia portas. Um lugar em que o seu hospedeiro não recusou dividir com eles a sua morada e os seus bens. Uma vaca de pêlo com a cor do fogo e longos chifres brancos, não hesitou em lhes oferecer o seu estábulo, a sua manjedoira, o seu feno e até o calor do seu corpo.
Pela acção hospitaleira deste descendente de ápis, nessa fria noite desse distante Dezembro, que viria a dividir para sempre os tempos, este, juntamente com um jumento cujo o pêlo lembrava um adiantado crepúsculo, orelhas compridas e crina curta, seriam as únicas testemunhas do maior acontecimento e mistério da história da humanidade. Pois eles, naquele obscuro e frio presépio, que viria ano após ano a ser lembrado em nossos próprios presépios, tiveram a imensurável honra e o grande privilégio de presenciar a Maria Santíssima a dar à luz a Luz.
De geração em geração, todos os presépios que construímos desde o tempo em que vestia-mos calções e trepava-mos às árvores, são em memória deste místico e grande acontecimento. E todos eles, têm em comum a presença da vaca e do jumento. Todos eles tem em comum o quadro de cena, que é o de estarem representados por estas silenciosas testemunhas, geralmente um a cada lado da manjedoira, a qual coberta de fenos e palhas, serve de berço ao Menino que acabara de nascer. Pela sua pose de descanso e de descontracção, o quadro que herdamos do primeiro Natal, leva-nos a interpretar e a concluir, que foram estas dóceis criaturas, que com o calor dos seus corpos protegeram e salvaram o Jesus Menino dos frios, que cutilantemente trespassavam as frinchas das paredes feitas de madeiros mal talhados, daquele pobre e húmido estábulo de Belém.
No humilde presépio que deu origem a todos os outros presépios, a vaca e o jumento tomaram o lugar que estava destinado aos homens para a recepção do Deus feito homem. Por isso, eles são dignos de estarem nos nosso presépios, pois eles são o símbolo do povo eleito, como também são o símbolo do povo pagão, ou seja, eles são o símbolo da humanidade universal. O jumento, que fora o eleito para carregar e transportar a Virgem Santíssima em estado de graça, numa penosa e difícil caminhada pelas vastidões do desconhecido, é o símbolo do povo cristão. A vaca, que lembra em todas as vertentes o boi ápis, o qual foi por muito tempo o símbolo da devoção da humanidade aos valores terrenos, é o símbolo do povo não cristão. Ao representarmos estes dois símbolos nos nosso presépios, estamos a representar nada mais nada menos, do que a humanidade universal.
Em suma, no pequeno e rústico estábulo de Belém, para além da Virgem Santíssima e do fiel São José, estava apenas uma vaca e um jumento. E foi somente quando um Anjo anunciou a boa-nova aos pastores, que os gentios, acorreram ao pobre curral em forma de casebre, onde um Menino já os esperava. E somente muitos dias depois, os reis magos apesar da sua sabedoria e capacidade de premeditação e leitura astrológica, com o auxilio de uma anunciadora estrela conseguiram chegar ao humilde estábulo a fim de adorarem com oferendas o Deus Menino que há poucos dias tinha nascido.
Desde esse longínquo dia do nascimento de Jesus e durante toda a Sua vida de peregrinação e pregação, Este não fez mais senão repetir o gesto do bom São José. Bater com insistência à porta das nossas almas, solicitando-lhes guarida e hospitalidade, por forma a que com a sua Luz a elas se funda em uma eternidade de valores e princípios. Por isso, no Novo Testamento Jesus nos diz: “Eis que estou às portas e bato; se alguém ouvir minha voz e me abrir a porta, eu entrarei e cearei com ele e ele comigo”.
O dia do nascimento de Jesus aqui retractado, foi como que o auspicio e o presságio da sua vida, uma vez que ao longo da Sua curta existência, houve uma sucessão de recusas e rejeições. Pelas narrações e registos bíblicos, temos conhecimento que houve a recusa dos escribas, dos fariseus, do povo judeu, dos gentios e até mesmo, no momento culminante e auge da Sua vida, teve a negação dos Seus próprios discípulos e dos Seus próprios apóstolos.
De recusa em recusa, de rejeição em rejeição, o Menino Jesus encontrara leito apenas entre os fenos e as palhas numa manjedoira de um pobre estábulo de Belém. De negação em negação, de recusa em recusa Jesus apenas encontrou repouso no madeiro da Cruz do Calvário.
Ressuscitado, A Bíblia conta-nos que Jesus atravessou as paredes do seu túmulo para anunciar a Maria Madalena a Sua ressurreição. Mas, para que Este possa penetrar nas sólidas muralhas de aço do coração humano, tem que bater à sua porta, sem ter a certeza que estas se venham a abrir, a fim da Sua misericordiosa Luz se fundir em suas almas.
Tanto nos dias de hoje, como no primeiro Natal, há muitos de nós que sabem onde Ele está, mas não vão ao Seu encontro. Há mesmo crentes confessos que indicam o caminho oposto ao de Jesus. Outros há, que até ensinam o correcto caminho para chegarmos a Ele. Mas, que preferem, como os doutores da lei do primeiro Natal, permanecer confortavelmente e comodamente em Jerusalém, cuidando dos seus menores interesses e relegando Jesus ao abandono e à rejeição.
Meus irmãos, saibam abrir as portas dos vossos corações quando Jesus junto a estas lhes bate e saibam também O receber e O acolher como O souberam receber e acolher a vaca e o jumento, naquela distante gélida e fria noite de Dezembro.
Pela acção hospitaleira deste descendente de ápis, nessa fria noite desse distante Dezembro, que viria a dividir para sempre os tempos, este, juntamente com um jumento cujo o pêlo lembrava um adiantado crepúsculo, orelhas compridas e crina curta, seriam as únicas testemunhas do maior acontecimento e mistério da história da humanidade. Pois eles, naquele obscuro e frio presépio, que viria ano após ano a ser lembrado em nossos próprios presépios, tiveram a imensurável honra e o grande privilégio de presenciar a Maria Santíssima a dar à luz a Luz.
De geração em geração, todos os presépios que construímos desde o tempo em que vestia-mos calções e trepava-mos às árvores, são em memória deste místico e grande acontecimento. E todos eles, têm em comum a presença da vaca e do jumento. Todos eles tem em comum o quadro de cena, que é o de estarem representados por estas silenciosas testemunhas, geralmente um a cada lado da manjedoira, a qual coberta de fenos e palhas, serve de berço ao Menino que acabara de nascer. Pela sua pose de descanso e de descontracção, o quadro que herdamos do primeiro Natal, leva-nos a interpretar e a concluir, que foram estas dóceis criaturas, que com o calor dos seus corpos protegeram e salvaram o Jesus Menino dos frios, que cutilantemente trespassavam as frinchas das paredes feitas de madeiros mal talhados, daquele pobre e húmido estábulo de Belém.
No humilde presépio que deu origem a todos os outros presépios, a vaca e o jumento tomaram o lugar que estava destinado aos homens para a recepção do Deus feito homem. Por isso, eles são dignos de estarem nos nosso presépios, pois eles são o símbolo do povo eleito, como também são o símbolo do povo pagão, ou seja, eles são o símbolo da humanidade universal. O jumento, que fora o eleito para carregar e transportar a Virgem Santíssima em estado de graça, numa penosa e difícil caminhada pelas vastidões do desconhecido, é o símbolo do povo cristão. A vaca, que lembra em todas as vertentes o boi ápis, o qual foi por muito tempo o símbolo da devoção da humanidade aos valores terrenos, é o símbolo do povo não cristão. Ao representarmos estes dois símbolos nos nosso presépios, estamos a representar nada mais nada menos, do que a humanidade universal.
Em suma, no pequeno e rústico estábulo de Belém, para além da Virgem Santíssima e do fiel São José, estava apenas uma vaca e um jumento. E foi somente quando um Anjo anunciou a boa-nova aos pastores, que os gentios, acorreram ao pobre curral em forma de casebre, onde um Menino já os esperava. E somente muitos dias depois, os reis magos apesar da sua sabedoria e capacidade de premeditação e leitura astrológica, com o auxilio de uma anunciadora estrela conseguiram chegar ao humilde estábulo a fim de adorarem com oferendas o Deus Menino que há poucos dias tinha nascido.
Desde esse longínquo dia do nascimento de Jesus e durante toda a Sua vida de peregrinação e pregação, Este não fez mais senão repetir o gesto do bom São José. Bater com insistência à porta das nossas almas, solicitando-lhes guarida e hospitalidade, por forma a que com a sua Luz a elas se funda em uma eternidade de valores e princípios. Por isso, no Novo Testamento Jesus nos diz: “Eis que estou às portas e bato; se alguém ouvir minha voz e me abrir a porta, eu entrarei e cearei com ele e ele comigo”.
O dia do nascimento de Jesus aqui retractado, foi como que o auspicio e o presságio da sua vida, uma vez que ao longo da Sua curta existência, houve uma sucessão de recusas e rejeições. Pelas narrações e registos bíblicos, temos conhecimento que houve a recusa dos escribas, dos fariseus, do povo judeu, dos gentios e até mesmo, no momento culminante e auge da Sua vida, teve a negação dos Seus próprios discípulos e dos Seus próprios apóstolos.
De recusa em recusa, de rejeição em rejeição, o Menino Jesus encontrara leito apenas entre os fenos e as palhas numa manjedoira de um pobre estábulo de Belém. De negação em negação, de recusa em recusa Jesus apenas encontrou repouso no madeiro da Cruz do Calvário.
Ressuscitado, A Bíblia conta-nos que Jesus atravessou as paredes do seu túmulo para anunciar a Maria Madalena a Sua ressurreição. Mas, para que Este possa penetrar nas sólidas muralhas de aço do coração humano, tem que bater à sua porta, sem ter a certeza que estas se venham a abrir, a fim da Sua misericordiosa Luz se fundir em suas almas.
Tanto nos dias de hoje, como no primeiro Natal, há muitos de nós que sabem onde Ele está, mas não vão ao Seu encontro. Há mesmo crentes confessos que indicam o caminho oposto ao de Jesus. Outros há, que até ensinam o correcto caminho para chegarmos a Ele. Mas, que preferem, como os doutores da lei do primeiro Natal, permanecer confortavelmente e comodamente em Jerusalém, cuidando dos seus menores interesses e relegando Jesus ao abandono e à rejeição.
Meus irmãos, saibam abrir as portas dos vossos corações quando Jesus junto a estas lhes bate e saibam também O receber e O acolher como O souberam receber e acolher a vaca e o jumento, naquela distante gélida e fria noite de Dezembro.
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